Um grupo de 50 especialistas divulgou um manifesto nesta sexta-feira (30) contestando a pressão de agentes financeiros para que a gestão federal adote cortes de despesas. A proposta central do documento é priorizar a tributação dos ricos em vez de penalizar investimentos em áreas sociais para estabilizar a dívida pública.
Os profissionais argumentam que o verdadeiro peso nas contas públicas vem dos juros fixados pelo Banco Central (BC), e não dos investimentos da União. A dívida bruta brasileira atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, impulsionada principalmente pelos custos elevados com o serviço da dívida.
Segundo o levantamento citado no texto, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento nos últimos doze meses. Esse montante supera em muito o déficit primário registrado, evidenciando que a inflação recente foi motivada por choques externos em alimentos e energia, e não por excesso de demanda.
Tributação de Altas Rendas
Em substituição ao corte de verbas, o manifesto sugere antecipar a aplicação de alíquotas mínimas para grandes fortunas. A medida serviria para taxar lucros e dividendos acumulados, além de revisar isenções fiscais que somam centenas de bilhões de reais aos cofres públicos anualmente.
Os economistas também recomendam que o Banco Central evite novas elevações na taxa Selic. Para eles, a prioridade deveria ser a revisão da meta inflacionária e a criação de um ambiente favorável ao emprego e à retomada do crescimento econômico sustentável.
Nova regra fiscal
Outro ponto de destaque no documento é a necessidade de aprovar um novo arcabouço fiscal no Congresso Nacional. A atual limitação de despesas é vista como um entrave para investimentos estratégicos em transição ecológica, reindustrialização e infraestrutura básica.
Por fim, os especialistas alertam que insistir em políticas de ajuste severo pode enfraquecer o apoio político ao governo e repetir cenários de crise econômica já vistos em gestões passadas, comprometendo a estabilidade institucional do país.