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Domingo, 20 de Setembro 2026
Estudos do Instituto Update revelam como as mulheres são abordadas nos planos de governo
Política

Estudos do Instituto Update revelam como as mulheres são abordadas nos planos de governo

Levantamento aponta que candidaturas priorizam combate à violência e políticas de cuidado, mas negligenciam a ocupação de espaços de poder

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Uma análise detalhada conduzida pelo Instituto Update sobre doze planos de governo para a Presidência da República aponta que as propostas voltadas para as mulheres focam predominantemente em assistência e combate à violência, deixando em segundo plano a inclusão feminina em decisões políticas estratégicas.

A pesquisa revelou uma lacuna substancial no debate sobre a autonomia feminina, a segurança em espaços urbanos e a ocupação de cargos públicos de destaque nas instâncias do poder público.

De acordo com Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update, embora as candidaturas reconheçam os desafios cotidianos enfrentados pelo público feminino, poucas pautas chegam a tratá-lo como agente ativo de transformação social.

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O estudo filtrou estritamente medidas destinadas de forma direta ao público feminino, desconsiderando diretrizes genéricas de segurança, educação ou saúde sem o devido recorte de gênero.

Althaller pontuou ainda que citar o tema de forma vaga difere de apresentar projetos estruturados, visto que faltam metas claras, prazos definidos e detalhamento orçamentário na maioria dos documentos.

Representação política em segundo plano

Os dados apontam que a figura feminina surge frequentemente como dependente de ações estatais e raramente como protagonista nas esferas decisórias da nação.

Embora 72% das entrevistadas no levantamento 'Mulheres em Diálogo' defendam o fortalecimento da representação feminina na política, apenas um presidenciável apresentou propostas concretas para coibir a violência política de gênero e garantir financiamento eleitoral.

Quando o escopo de análise se expande para lideranças institucionais, um segundo candidato passa a contemplar o tema, propondo a indicação de juristas mulheres para vagas no Supremo Tribunal Federal.

Carol Althaller enfatiza a contradição entre a percepção social — onde 70% das pesquisadas acreditam que mulheres possuem soluções mais eficientes para a segurança — e o escasso espaço dedicado ao assunto pelas campanhas.

Abordagem sobre a violência de gênero

O combate ao feminicídio e a proteção a vítimas de violência doméstica são pautas consolidadas em 75% dos programas analisados pela instituição.

As iniciativas do setor priorizam a criação de casas-abrigo, o monitoramento eletrônico de agressores e a integração entre órgãos policiais, rede de saúde e Judiciário.

Contudo, apenas um plano conectou a segurança física ao transporte público e à mobilidade urbana, ignorando um receio comum demonstrado em diagnósticos recentes.

Pesquisas complementares do instituto indicam que 79% das cidadãs sentem medo de andar à noite e mais de metade já evitou frequentar determinados locais por falta de segurança.

Conceitos divergentes sobre autonomia econômica

A geração de renda e a independência financeira figuram em 58% das propostas examinadas, variando entre fomento ao empreendedorismo e garantias de igualdade salarial.

A defesa de salários equivalentes para funções idênticas conta com o apoio de 94% do eleitorado feminino consultado nas pesquisas da entidade.

Apesar do consenso sobre a importância da autonomia econômica, os caminhos sugeridos divergem entre visões focadas em crédito individual e propostas pautadas no fortalecimento de direitos trabalhistas e creches públicas.

Rede de cuidados e infraestrutura social

Cerca de 58% das diretrizes analisadas citam a ampliação de creches e sistemas de apoio familiar como fundamentais para desonerar a rotina feminina.

O debate central reside na responsabilidade pelo serviço: enquanto parte dos projetos encara o cuidado como direito público e infraestrutura social, outros o associam apenas a deveres familiares.

Conforme conclui o estudo do Instituto Update, a divergência de visões revela uma disputa política contínua sobre qual deve ser o papel do Estado na promoção da equidade de gênero.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Rovena Rosa/Agência Brasil

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