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Sábado, 19 de Setembro 2026
Câmara debaterá criação de Comissão da Verdade para investigar crimes contra indígenas
Política

Câmara debaterá criação de Comissão da Verdade para investigar crimes contra indígenas

Proposta pela deputada federal Sônia Guajajara, a iniciativa visa responsabilizar o Estado brasileiro por violações históricas de direitos humanos.

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No dia 17 de novembro, a Câmara dos Deputados sediará uma audiência pública para debater a implementação da Comissão da Verdade Indígena, proposta pela deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP). A iniciativa busca atender a uma reivindicação histórica dos povos indígenas, visando apurar e responsabilizar o Estado brasileiro pelas graves violações de direitos humanos cometidas contra essas populações ao longo da história.

O debate foi formalizado pelo Requerimento nº 86/2026 na Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) é uma das principais entidades a cobrar a criação do colegiado, visando reunir provas sobre os abusos cometidos pelo regime militar.

A meta da comissão é atribuir responsabilidade estatal por crimes graves como torturas, remoções forçadas de territórios, escravização, abusos sexuais e envenenamentos. O período também foi marcado por prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados e pela destruição do patrimônio cultural desses povos.

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O encontro reunirá lideranças tradicionais, autoridades públicas, juristas, acadêmicos e membros da sociedade civil. O objetivo é expandir os achados da Comissão Nacional da Verdade (CNV), cujo relatório final é considerado incompleto por detalhar violações contra apenas dez etnias.

Os grupos analisados na época — como os Yanomami, Xavante e Waimiri-Atroari — representavam apenas 3,3% das etnias do país, registrando uma estimativa de 8.350 indígenas mortos entre 1964 e 1985. Atualmente, o Estado brasileiro reconhece oficialmente 305 povos, sem contar as comunidades em isolamento voluntário.

A luta contra a subnotificação histórica

O jornalista Marcelo Zelic, falecido em 2023 e ativo defensor da causa, criticou duramente a primeira versão do relatório da CNV em 2014. O documento inicial continha apenas 35 páginas, uma extensão considerada irrisória para sintetizar duas décadas de atrocidades em todo o território nacional.

A mobilização do Grupo de Trabalho Indígena e os questionamentos de Zelic durante a 29ª Reunião Brasileira de Antropologia (RBA) forçaram a revisão e a substituição do documento original.

Em seu manifesto "Comissão Nacional da Verdade e Povos Indígenas: a um passo da omissão", Zelic denunciou a conivência estatal. Ele apontou que muitos crimes eram cometidos por agentes do próprio Serviço de Proteção aos Índios (SPI), órgão que antecedeu a Fundação Nacional do Índio (Funai).

Zelic argumentava que as comunidades nativas estiveram entre as maiores vítimas do período investigado (1946-1988). Ele destacava a cumplicidade do Estado e resgatava o histórico Relatório Figueiredo por meio do projeto Armazém Memória, que fundou e coordenou.

O jornalista propôs uma estrutura com coordenação técnica e um colegiado misto, unindo governo, lideranças nativas e entidades de direitos humanos. Esse arranjo daria suporte à Rede de Comissões da Verdade Indígena (Rede CVI) para encaminhar denúncias e processos legais.

O modelo previa incentivar as próprias comunidades e universidades a criarem núcleos de pesquisa locais. O objetivo é mensurar com precisão os danos culturais, territoriais e espirituais sofridos por cada povo.

“A consolidação de uma democracia real exige o reconhecimento dos crimes cometidos contra os povos originários. É fundamental assegurar a memória, apurar culpados e estruturar reparações históricas para evitar a repetição desses episódios”, declarou a deputada Sônia Guajajara.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Bruno Peres/Agência Brasil

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