O isolamento de Flávio Bolsonaro (PL) se aprofundou nesta semana após o parlamentar viajar para os Estados Unidos e publicar uma carta golpista. Lideranças partidárias, governadores e até antigos apoiadores reagiram ao documento em que o senador se autodeclarou presidente eleito, reafirmando publicamente a legitimidade do resultado das eleições que deram a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
Reação dos partidos de apoio
Entre os que se distanciaram está o União Brasil, legenda que integrou a base de apoio do candidato. Em nota oficial assinada pelo presidente do partido, Antonio Rueda, a sigla destacou que a democracia é um valor inegociável e defendeu o respeito absoluto à decisão soberana tomada pelos eleitores nas urnas.
O MDB também usou suas redes sociais para ratificar total confiança no sistema eleitoral brasileiro. A posição foi acompanhada até mesmo por membros do próprio partido de Flávio, o PL. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), admitiu publicamente a ausência de provas sobre fraudes na votação.
Aliados da direita cobram postura
Outra importante figura da direita que se manifestou foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Embora tenha afirmado compreender o sentimento de revolta do senador, Tarcísio enfatizou que a eleição já foi encerrada e que o país necessita de responsabilidade, serenidade e o cumprimento do resultado democrático.
Até mesmo no âmbito religioso o discurso golpista encontrou resistência. O bispo JB Carvalho, da igreja Comunidade das Nações, frequentada pelo senador em Brasília, apelou para que a militância aceite o pleito. O religioso afirmou que o pleito foi concluído e pediu o fim do clima de incerteza.
As críticas se estenderam ao ex-candidato Renan Santos (Missão), que desaprovou a tentativa de liderar a oposição diretamente do território norte-americano. Santos comparou a atitude à atuação do venezuelano Juan Guaidó, classificando a postura do senador como uma "oposição EAD" desprovida de benefícios práticos para o cenário político nacional.