O governo federal deve enviar nesta segunda-feira (31) ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 trazendo a previsão de um aporte de R$ 6 bilhões para os Correios. A medida atende às exigências contratuais de um empréstimo de R$ 12 bilhões firmado pela estatal com instituições bancárias, visando apoiar o plano de recuperação da empresa após perdas bilionárias.
A injeção de capital faz parte das condicionantes estabelecidas no fim de 2025. O montante não precisa ser transferido integralmente no início de 2027, mas deve estar à disposição da empresa até o fim daquele exercício para assegurar a execução do reequilíbrio financeiro.
A confirmação do recurso veio por meio de nota emitida pelos ministérios das Comunicações, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, e do Planejamento e Orçamento.
Como a operação financeira possui garantia do Tesouro Nacional, eventual descumprimento das cláusulas por parte da empresa pública pode obrigar a União a assumir a dívida perante os credores.
Balanço financeiro e resultados
A definição orçamentária coincide com a divulgação do balanço recente da empresa, que apontou prejuízo líquido de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026. No primeiro semestre, o déficit acumulado chegou a R$ 5,5 bilhões — valor 30,4% superior ao registrado em igual período do ano passado.
Destaques operacionais e financeiros
- R$ 2,4 bilhões: prejuízo líquido apurado no segundo trimestre de 2026
- 5,5%: redução do prejuízo no segundo trimestre na comparação anual
- R$ 5,5 bilhões: saldo negativo acumulado nos primeiros seis meses
- 30,4%: expansão do déficit semestral em relação a 2025
- R$ 7,9 bilhões: faturamento bruto no primeiro semestre
- R$ 274,5 milhões: margem bruta obtida no período
- 4,2%: recuo nos custos com folha de pagamento
- R$ 233,7 milhões: economia com despesas de pessoal
- 6.545: total de adesões ao Programa de Demissão Voluntária (PDV)
- R$ 322 milhões: ganhos obtidos com a renegociação de passivos vencidos
- R$ 1,8 bilhão: montante de dívidas bancárias quitadas antes do prazo
- R$ 460,4 milhões: retração nas receitas do segmento internacional
Medidas de reestruturação
Os Correios enfrentam um cenário crítico decorrente da queda nos serviços postais tradicionais, elevação dos custos operacionais e concorrência acirrada na logística privada. Para reverter o quadro, a empresa implementou um plano de reestruturação focado em corte de gastos e novas frentes de receita.
Entre as iniciativas estão o incentivo ao desligamento voluntário de funcionários, alienação de imóveis ociosos, renegociação de contratos, revisão de benefícios de saúde e o lançamento de um marketplace próprio.
Perfil do endividamento
Apesar do resultado deficitário, o governo sinalizou melhorias no perfil do endividamento da estatal. A empresa zerou passivos de curto prazo, eliminou contratos de custo elevado e conseguiu estender o vencimento de parcelas relevantes de 18 para 180 meses.
Além da captação de R$ 12 bilhões já realizada, a estatal negocia um novo financiamento de R$ 7 bilhões com garantia federal, em tratativas consideradas avançadas.
Controle de despesas e EBITDA
No primeiro semestre, os custos operacionais da empresa fecharam em R$ 7,6 bilhões, patamar 14% abaixo do limite orçamentário projetado. A redução da folha de pagamento contribuiu diretamente para essa contenção.
O Ebitda alcançou R$ 910 milhões no período, superando as projeções em 18%. Na avaliação do governo, os dados indicam recuperação na eficiência operacional, embora a saúde financeira da estatal ainda exija cautela.
Riscos fiscais para o Tesouro
O financiamento de R$ 12 bilhões foi concedido por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander, lastreado por garantia da União.
O descumprimento do aporte mínimo estipulado abre brecha contratual para que o consórcio bancário exija a liquidação imediata da dívida total. Diante desse risco, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o governo adote providências para assegurar o repasse dentro do prazo legal.