A senadora maranhense Eliziane Gama (PSD), que foi a relatora da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do 8 de Janeiro, se reuniu nesta quarta-feira (6) com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para falar sobre os desdobramentos das investigações sobre os atos antidemocráticos que resultaram na invasão dos prédios dos Três Poderes. Eliziane disse que o objetivo "foi entender e ter conhecimento de todo o andamento que está sendo feito pela PGR".
"Gonet nos deu, na verdade, um levantamento geral e a confirmação de que as últimas ações, inclusive que receberam manifestação do Ministério Público, foram embasadas pelas informações do relatório da CPMI. Na última operação da Polícia Federal, por exemplo, dos 24 alvos, 12 estavam indiciados dentro da CPMI. Nós saímos absolutamente felizes e satisfeitos de que o trabalho que tivemos ao longo de 5 meses na CPMI foi um trabalho extremamente produtivo" - disse.
A relatora estava acompanhada do deputado Rogério Correia (PT-MG) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MG). Em entrevista à imprensa, Eliziane descartou que a visita a Gonet foi uma forma de pressionar a PGR. "Ainda teremos naturalmente, nos próximos meses ou semanas, novas decisões levando em consideração o que consta no relatório."
Aos parlamentares, o procurador-geral da República não falou de prazos, mas segundo Eliziane "está havendo uma intensidade e agilidade no processo de investigação".
"Eu até cobrei dele, de fato, esse prazo, mas ele nos assegurou que poderia, na verdade, cometer um erro se fizesse uma definição clara em relação a isso" - disse ela.
Rogério Correia acrescentou que há uma concordância com a tese central da CPMI de que houve "tentativa de golpe".
"É preciso ver globalmente o acontecido. Por exemplo, a reunião com os embaixadores não foi apenas um crime eleitoral. No contexto geral, ela fez parte do processo de mostrar para os setores que interessavam, naquela época, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que as eleições poderiam ser fraudadas e, portanto, era necessária uma ação para que se desse um golpe e não se respeitasse o resultado eleitoral, ou nem se tivesse eleições" - comentou.