A abstenção de idosos com mais de 70 anos registrou uma queda de quase 10 pontos percentuais no primeiro turno do pleito atual, de acordo com um levantamento realizado pelo Movimento Voto 70+, iniciativa da sociedade civil focada na cidadania da terceira idade.
Conforme os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisados pelo grupo, a taxa de eleitores nessa faixa etária que deixaram de comparecer às urnas recuou de 58,8% em 2022 para 49,1% na etapa inicial de 2026.
No cenário geral, a abstenção de 2026 atingiu 21,08%, indicando que cerca de 33 milhões de cidadãos aptos optaram por não participar do processo democrático.
Vale lembrar que o voto é facultativo para os maiores de 70 anos, assim como para analfabetos e jovens entre 16 e 18 anos. Além disso, maiores de 80 anos possuem prioridade nas filas das seções eleitorais.
Crescimento do eleitorado idoso
Essa retração na ausência ocorreu simultaneamente à expansão desse público, que passou de 14,9 milhões em 2022 para 17,2 milhões de pessoas aptas a votar em 2026.
Para Cléa Klouri, idealizadora do Movimento Voto 70+, o maior engajamento demonstra que o processo de envelhecimento populacional não afasta o cidadão dos debates políticos.
Entretanto, pesquisas do setor apontam que barreiras físicas, falta de redes de apoio e o etarismo ainda representam grandes desafios para garantir a plena acessibilidade nas zonas eleitorais.
Incentivos e o segundo turno
Para o próximo pleito, o comparecimento da faixa etária contará com um estímulo adicional: a participação poderá ser utilizada pelo INSS para a prova de vida automática de beneficiários, regra válida inclusive para quem faltou no primeiro turno.
Além disso, campanhas como a Vovó Vota buscam combater a abstenção feminina — historicamente mais alta entre mulheres idosas —, oferecendo guias digitais com orientações de transporte e apoio logístico para o dia da votação.