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Sexta-feira, 18 de Setembro 2026
Orçamento da segurança pública prioriza polícias e asfixia reinserção social
Política

Orçamento da segurança pública prioriza polícias e asfixia reinserção social

Estudo mostra que estados gastam 5 mil vezes mais com policiamento ostensivo do que com a reintegração de egressos do sistema prisional.

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Um novo estudo sobre a segurança pública no Brasil revela que os governos estaduais destinam, em média, R$ 5.423 para as polícias para cada R$ 1 investido em políticas para egressos do sistema prisional em 2025. O levantamento “O Funil de Investimentos da Segurança Pública nos Estados Brasileiros”, elaborado pelo centro de pesquisa Justa, foi apresentado nesta quinta-feira (17) no Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A pesquisa, que analisou dados de 26 estados, aponta que a disparidade na distribuição de verbas se agravou em relação a 2024. Naquele ano, a proporção era de R$ 4.877 para as polícias e R$ 1.221 para o sistema prisional para cada real investido na saída de detentos. O Acre foi o único estado que não compartilhou seus dados orçamentários.

Para Taciana Santos, coordenadora de pesquisas do Justa, esse desequilíbrio reflete o avanço do populismo penal e da chamada “bancada da bala” na política local. Segundo ela, o aumento expressivo de recursos para as forças policiais atende a uma lógica eleitoreira e não se traduz necessariamente em uma redução real da violência para a população.

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Desproporção no orçamento das polícias

O orçamento total das polícias estaduais saltou de R$ 87,5 bilhões em 2024 para R$ 103,5 bilhões em 2025. Desse montante, a Polícia Militar concentra a maior fatia, com R$ 60,7 bilhões (58,6%). Em contrapartida, a Polícia Civil recebeu R$ 22,2 bilhões (21,5%), enquanto a Polícia Técnico-Científica ficou com apenas R$ 2,8 bilhões (2,7%).

Esses números evidenciam que as gestões estaduais priorizam o patrulhamento de rua em detrimento da inteligência e da investigação civil. Luciana Zaffalon, diretora-executiva do Justa, alerta que essa escolha orçamentária alimenta um ciclo de encarceramento em massa sem que haja uma apuração qualificada dos crimes ou produção robusta de provas judiciais.

O custo do sistema prisional e o fator racial

O sistema prisional consumirá R$ 22,3 bilhões em 2025, sendo que R$ 13,7 bilhões desse total financiam a prisão de cidadãos negros. Esse valor equivale a R$ 6 de cada R$ 10 gastos no setor. O cálculo foi feito cruzando dados orçamentários com os registros de dezembro de 2025 do Sistema Nacional de Informações Penais (Sisdepen).

Zaffalon destaca que o Brasil “prende muito e prende mal”, enviando pessoas vulneráveis para o controle de facções criminosas nas prisões. Além disso, embora o orçamento prisional tenha se mantido estável em relação aos R$ 21,9 bilhões de 2024, os acréscimos focam na expansão de vagas, enquanto verbas para saúde e alimentação dos detentos sofrem cortes.

Abandono das políticas de reinserção social

Na saída do sistema, o cenário é de quase estagnação: foram destinados apenas R$ 19 milhões para egressos em 2025, contra R$ 18 milhões no ano anterior. Zaffalon enfatiza que o abandono dessas políticas, cruciais para moradia, trabalho e educação, limita a reinserção social e acaba por favorecer a reincidência criminal no país.

Apenas sete estados investiram em programas exclusivos para egressos em 2025. São Paulo lidera com R$ 13,3 milhões, seguido pelo Ceará com R$ 3,8 milhões. Mato Grosso (R$ 781 mil), Bahia (R$ 482 mil), Rio Grande do Sul (R$ 414 mil), Santa Catarina (R$ 177 mil) e Sergipe (R$ 19 mil) completam a lista de investimentos.

Por outro lado, o Tocantins, que havia destinado recursos para a área no orçamento de 2024, não chegou a aplicar nenhuma verba em políticas para egressos no período analisado, evidenciando as dificuldades de consolidação dessas iniciativas no território nacional.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Tomaz Silva/Agência Brasil

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