O ministro Flávio Dino, do STF, determinou nesta quinta-feira (10) que o deputado Mario Frias (PL-SP) não deixe o Brasil e fique impedido de contatar outros investigados por supostos desvios de emendas parlamentares direcionadas à cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão integra as medidas da Operação Make Up, conduzida pela Polícia Federal.
A ofensiva policial mobilizou mandados de busca e apreensão em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, além do Distrito Federal. Ao todo, dezenas de alvos, incluindo a produtora Karina Gama, sofreram restrições de saída do território nacional por ordem judicial.
Na fundamentação, Dino apontou que Frias utilizou deslocamentos internacionais para postergar esclarecimentos cruciais. O magistrado também acionou a presidência da Câmara dos Deputados para averiguar a legitimidade da viagem do parlamentar sob investigação.
Suspeitas sobre repasses
O inquérito sob relatoria de Dino teve origem em relatórios da Controladoria-Geral da União. Os documentos apontaram falhas na alocação de verbas indicadas por Frias para entidades vinculadas a Karina Gama.
Os investigadores identificaram indícios de que montantes destinados a projetos sociais acabaram redirecionados para a produção audiovisual. A apuração aponta para a existência de uma rede financeira complexa voltada à ocultação de valores.
A defesa dos citados ainda não se manifestou oficialmente sobre as diligências recentes. Enquanto isso, o caso segue em sigilo para a coleta de novas provas e o aprofundamento das análises periciais.