O preço do limão atingiu patamares muito acima da média histórica nos últimos meses em todo o Brasil, impulsionado por uma forte queda na oferta durante a entressafra. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a escassez da fruta no cinturão cítrico paulista foi provocada por chuvas atípicas no início do ano, que prejudicaram o desenvolvimento das floradas e a colheita do fruto.
No cinturão cítrico de São Paulo, responsável por 80% do cultivo nacional, a caixa de 27,2 kg paga ao produtor do limão tahiti saltou de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 em agosto. Essa alta acumulada de 226,4% refletiu diretamente no mercado atacadista da Ceagesp, onde o quilo da fruta passou de R$ 1,82 em maio para R$ 8,62 no ápice de setembro.
Clima e excesso de umidade afetaram a colheita
O aumento expressivo do valor é explicado pelo impacto das chuvas em regiões produtoras estratégicas, como Bebedouro e Matão. O excesso de umidade e os dias nublados comprometeram a qualidade comercial do produto e dificultaram o trabalho nos pomares. Segundo o pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Cepea/Esalq, a cultura possui alta volatilidade histórica, mas o cenário recente reflete uma condição climática bem adversa.
Além dos fatores climáticos, a alta demanda interna impulsionada pelo calor de agosto e setembro e a manutenção das exportações pressionaram ainda mais o mercado interno. A Conab indica que o volume de oferta deve começar a se restabelecer significativamente a partir de meados de novembro, com a expectativa de normalização dos preços com a chegada da nova safra no fim do ano.