A Petrobras anunciou, nesta sexta-feira, uma nova descoberta de acumulação de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado na promissora Margem Equatorial. A operação ocorreu a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, marcando o segundo achado na região em curto período, com o objetivo de mapear novas fronteiras energéticas e garantir a segurança do abastecimento nacional.
O poço, batizado tecnicamente como 1-BRSA-1405-APS, está situado em águas ultraprofundas na Bacia da Foz do Amazonas. A perfuração alcançou uma lâmina d’água de 2.886 metros. Essa região geográfica desperta grande interesse do setor por apresentar características geológicas semelhantes às de descobertas bilionárias recentes feitas na Guiana e no Suriname.
Considerada por especialistas como o "novo pré-sal", a área é estratégica para o futuro da estatal. A busca por novas reservas visa mitigar o declínio produtivo previsto para a próxima década nos campos maduros do Sudeste brasileiro.
Qualidade do óleo e análises em andamento
Após o primeiro indício positivo registrado em agosto, a Petrobras aprofundou a perfuração para analisar camadas geológicas inferiores. Esta segunda descoberta foi confirmada por meio de perfis elétricos, amostras de fluidos e vestígios em rochas coletados durante a atividade de campo.
Enquanto o óleo encontrado na primeira etapa já teve sua "boa qualidade" atestada pela petroleira, o material coletado nesta nova fase passará por testes laboratoriais detalhados. As atividades no poço Morpho continuam em andamento para dimensionar a viabilidade comercial do reservatório.
Licenciamento ambiental e segurança das operações
A campanha exploratória no bloco FZA-M-59 foi autorizada pelo Ibama em outubro de 2025, após intensos debates entre órgãos governamentais, o setor produtivo e entidades socioambientais. A Petrobras argumenta que as operações seguem rígidos protocolos de segurança e respeito às comunidades locais.
Para contrapor críticas sobre a proximidade com ecossistemas sensíveis, a presidente da companhia, Magda Chambriard, esclareceu que a atividade ocorre a 540 quilômetros de distância da foz real do Rio Amazonas, reduzindo drasticamente os riscos de impacto direto na costa.
Potencial estimado da Bacia da Foz do Amazonas
Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estimam que o volume recuperável na Bacia da Foz do Amazonas pode atingir 10 bilhões de barris de óleo equivalente. O montante é expressivo frente aos 70 bilhões de barris de reservas totais que o Brasil registrou ao fim de 2025.