O evento do último sábado (30), no Palácio do Comércio, que deveria impulsionar a pré-candidatura de Mariana Carvalho à Câmara Federal, terminou levantando uma série de dúvidas dentro e fora do campo Bolsonarista. A presença de Michelle Bolsonaro, trazida para validar o projeto político de Mariana, contrastou com um cenário de contradições e de um público bem abaixo do esperado.
Mesmo com caravanas financiadas de Açailândia, Grajaú, Barra do Corda e cidades do estado do Pará e próximas, o auditório que comporta pouco mais de 300 pessoas ficou longe de lotar. A pergunta que se espalhou foi imediata: onde estavam os Bolsonaristas de Imperatriz? Por que a base local, que sempre demonstrou força nas ruas, não compareceu?
O desconforto fica ainda maior quando lembramos da última visita do casal Bolsonaro à cidade. Naquele dia, diante de milhares de pessoas, Jair Bolsonaro chamou Josimar de Maranhãozinho de “ladrão” e “bandido”, exigindo sua expulsão do PL e deixando claro que não haveria qualquer aproximação com seu grupo político.
Na época, Mariana nem sequer era do PL, disputava a prefeitura de Imperatriz pelo Republicanos comandada pelo Deputado Federal Aluísio Mendes inimigo declarado de Josimar Maranhãozinho. O salto entre esse passado e o presente é grande demais para ser ignorado.
Enquanto pela manhã Mariana aparecia ao lado de Michelle, discursando sobre valores e projetos, poucas horas depois já estava gravando vídeo ao lado de Josimar, que comemorava sua chegada ao PL como um reforço “de sorte” para seu grupo.
Ele ainda afirmou que a presença de Mariana fortalece seus planos para 2026 e 2028, especialmente o de tomar a Prefeitura de Imperatriz, ampliando o controle político que já exerce sobre mais de 40 prefeituras no estado, tudo isso enquanto responde a diversos processos por corrupção e desvio de recursos públicos.
A aproximação repentina escancara as contradições que Mariana coleciona. Ela já mudou de partido mais de uma vez, esteve envolvida em escândalos como áudios vazados em que sua irmã exigia devolução de valores repassados pelo partido a candidatos, além da existência de um gabinete digital usado para atacar adversários e jornalistas que criticam sua postura.
Discursos e alianças tão contraditórios levantam dúvidas sobre qualquer coerência ideológica. Mariana tenta se apropriar da imagem de Bolsonaro, mas se articula com o político que o próprio ex-presidente rejeitou publicamente de forma contundente. Tenta se apresentar como liderança da direita conservadora, mas não conseguiu mobilizar nem a militância Bolsonarista de sua própria cidade para um evento com Michelle.
Para complicar ainda mais, no dia seguinte, já em Fortaleza, Michelle deu um recado duro ao criticar a possibilidade de aliança entre o PL cearense e Ciro Gomes. Em suas palavras, “a direita não vai chegar dividida em 2026, vai chegar limpa”. A declaração reforça ainda mais a contradição: se aliança com adversários ou grupos rejeitados é inaceitável no Ceará, por que seria tolerada no Maranhão? Michelle sabia da articulação de Mariana com Josimar? Foi orientada, omitiu essa informação ou simplesmente foi usada para legitimar uma aliança que Bolsonaro condenou?
Assim, permanece no ar a pergunta que Imperatriz inteira está fazendo: Michelle Bolsonaro foi enganada ao validar o projeto de Mariana Carvalho ou decidiu, conscientemente, contrariar a posição pública de seu marido para permitir o avanço silencioso de Josimar sobre a Prefeitura de Imperatriz?
Enquanto isso, Mariana tenta se consolidar como nome da direita na região. Mas a verdade é que nem caravanas financiadas, nem discursos afinados, nem a presença da ex-primeira-dama foram suficientes para encobrir a incoerência de um jogo político que, mais cedo ou mais tarde, cobrará seu preço.
Créditos (Imagem de capa): Foto: Divulgação/Redes Sociais
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