Em 2026, a urna eletrônica completa 30 anos de consolidação como o pilar da democracia nas eleições do Brasil. Criada para substituir o antigo e vulnerável voto em cédulas de papel, a tecnologia desenvolvida pela Justiça Eleitoral transformou o processo de votação nacional, garantindo apurações rápidas e seguras desde a sua estreia parcial no pleito municipal de 1996.
Antes da informatização, os eleitores preenchiam cédulas manualmente e as depositavam em urnas de lona. Esse modelo arcaico facilitava trapaças, como a famosa fraude da "urna grávida", na qual cédulas previamente preenchidas eram inseridas antes da votação começar. Além disso, a contagem manual dos votos demorava dias para ser concluída.
O cenário mudou em 1995 com uma força-tarefa liderada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reuniu militares e ministérios para projetar o Coletor Eletrônico de Votos (CEV). Após testes bem-sucedidos em 1996, o sistema foi expandido e, no ano 2000, 100% do eleitorado brasileiro já votava de forma totalmente digital.
Ao longo das décadas, o equipamento recebeu constantes atualizações de segurança e acessibilidade. Em 1998, as fotos dos candidatos foram incluídas na tela. Posteriormente, surgiram a identificação biométrica, auditorias públicas de códigos-fonte e telas sensíveis ao toque. Em 2026, o terminal passa a contar com tradução em Libras e indicadores visuais de progresso.
Segurança e auditoria do sistema
Um dos principais trunfos do sistema é o fato de o dispositivo funcionar de forma isolada, sem qualquer conexão com a internet, redes sem fio ou bluetooth. Essa característica técnica impede invasões cibernéticas e tentativas de manipulação externa dos dados coletados durante o pleito.
Além disso, o processo conta com mais de 40 etapas de auditoria. Instituições como partidos políticos, Polícia Federal e Ministério Público inspecionam os códigos-fonte antes da lacração. No encerramento da votação, a emissão do Boletim de Urna (BU) e a gravação de dados criptografados asseguram a integridade dos resultados enviados ao TSE.
Presença global da tecnologia
O sucesso da inovação brasileira inspira o cenário internacional. Atualmente, pelo menos 34 nações utilizam ou já testaram sistemas eletrônicos de votação em suas jornadas democráticas. Países como França, Índia, México e Estados Unidos aplicam soluções digitais semelhantes para modernizar seus processos eleitorais.