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Quarta-feira, 17 de Junho 2026
Câmara dos Deputados avança com proposta que criminaliza misoginia
Política

Câmara dos Deputados avança com proposta que criminaliza misoginia

Relatório da deputada Tabata Amaral foi aprovado em grupo de trabalho; projeto segue para plenário após aprovação no Senado.

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O grupo de trabalho da Câmara dos Deputados responsável por debater o projeto de lei que visa combater a misoginia deu um passo significativo nesta terça-feira (16), com a aprovação do parecer elaborado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). A proposta, que equipara a misoginia ao crime de racismo, agora segue para votação no plenário da Casa.

A legislação em discussão também prevê o agravamento da pena para casos de misoginia perpetrados na internet, especialmente quando visam a obtenção de ganhos financeiros, audiência, engajamento ou visibilidade. Adicionalmente, o projeto contempla a implementação de campanhas públicas voltadas ao enfrentamento dessa prática.

O texto legislativo, que já obteve aprovação no Senado Federal, necessita agora da chancela do plenário da Câmara dos Deputados para prosseguir em sua tramitação.

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Havia uma expectativa inicial de que a análise em plenário pudesse ocorrer ainda nesta terça-feira, impulsionada pela decisão governamental de retirar o regime de urgência do PL 1838/26, que trata do fim da escala de trabalho 6X1.

Contudo, após reunião de líderes, as duas matérias foram acordadas para serem pautadas na última semana de junho, adiando a discussão sobre a criminalização da misoginia.

O projeto define misoginia como a prática, indução ou incitação à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher, motivada especificamente por sua condição de gênero.

Em seu relatório, Tabata Amaral ressaltou a forte conexão entre discursos de ódio e a inferiorização feminina e a ocorrência de crimes graves, apontando o feminicídio como uma potencial "morte anunciada" precedida por agressões verbais e simbólicas.

Um dos pontos centrais da proposta é a garantia de atendimento policial especializado às vítimas, reconhecendo sua vulnerabilidade e o risco de revitimização.

“As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) desempenham um papel fundamental na rede de proteção à mulher, oferecendo um espaço de acolhimento qualificado e humanizado para aquelas que sofrem violência decorrente de misoginia”, destacou a deputada.

Outras medidas previstas

O projeto também contempla alterações no art. 8º da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), com o objetivo de adicionar medidas de prevenção à violência doméstica e familiar, focando na identificação antecipada de fatores de risco.

A proposta inclui a avaliação periódica do impacto das ações governamentais e não governamentais na promoção de programas que visam fortalecer os vínculos familiares e oferecer suporte econômico e social. Tais medidas buscam reduzir a dependência financeira que, muitas vezes, mantém mulheres presas a ciclos de abuso.

O parecer também apresenta sugestões para prevenção primária e secundária, recomendando diretrizes para programas de fortalecimento familiar e desenvolvimento de competências parentais, com ênfase em comunicação não violenta e resolução pacífica de conflitos.

A iniciativa reforça a importância da corresponsabilização familiar e comunitária na quebra de padrões relacionais abusivos, sempre com foco na proteção integral da mulher e de seus dependentes.

Outra medida relevante sugerida é a regulamentação de ações para diminuir a dependência financeira, um fator de risco conhecido para a permanência em ciclos de violência contra mulheres em situação de vulnerabilidade.

Essas ações deverão ser executadas em articulação com políticas públicas de assistência social, trabalho, geração de renda, habitação, saúde e educação, promovendo a autonomia econômica.

“A definição de parâmetros nacionais mínimos tende a fortalecer a coordenação federativa, a integração intersetorial, a produção de evidências e a efetividade das medidas de prevenção, proteção e enfrentamento à misoginia e à violência contra a mulher, em especial no ambiente digital”, conclui o texto.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Lula Marques/ Agência Brasil.

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