Esta semana, mais de uma centena de economistas e dezenas de organizações brasileiras lançaram a iniciativa Vida em Conta. O projeto busca aproximar o debate econômico das reais necessidades cotidianas da população, propondo alternativas que priorizem o bem-estar social frente às discussões puramente fiscais.
Articulada pela Plataforma Cipó e pela organização Transforma, a ação reconhece os avanços recentes do país. Desde 2023, a retomada de políticas públicas e investimentos ajudou a reduzir a inflação e o desemprego, além de fortalecer o combate à pobreza.
Contudo, os idealizadores alertam que essas conquistas correm perigo. Há um risco real de retrocesso caso o país retorne a uma agenda de forte austeridade. A limitação permanente de investimentos públicos e a concessão de isenções fiscais sem contrapartidas sociais podem comprometer o crescimento.
Desenvolvimento social e distribuição de renda
A diretora-executiva da Plataforma Cipó, Maiara Folly, destaca que o sucesso de uma economia deve ser medido pela redução da desigualdade. Para a especialista, o crescimento econômico só é real quando se traduz em empregos de qualidade e melhoria efetiva na qualidade de vida das pessoas.
Entre as diretrizes do manifesto estão o combate às disparidades de gênero, raça e território. O grupo também defende a redução do custo de vida, a aceleração da transição ecológica e o fortalecimento da soberania tecnológica nacional.
Além da meta fiscal
O diretor-executivo do Transforma, Marco Antonio Rocha, reforça que o Brasil não pode ficar refém de debates fiscais de curto prazo. Diante de desafios globais como a crise climática e as transformações no mercado de trabalho, o país precisa de uma visão de longo prazo que assegure direitos e oportunidades.