A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que altera a escala 6x1, votada pelo Senado Federal nesta quarta-feira (14), renovou as expectativas de trabalhadores em todo o país por mais qualidade de vida, descanso e tempo com a família.
Para profissionais como Adrielle Barbosa de Aquino, de 27 anos, a rotina de seis dias de trabalho por apenas um de folga é um desafio diário. Garçonete no centro do Rio de Janeiro e mãe de duas crianças, ela relata a dificuldade de conciliar tarefas pessoais e cuidados com os filhos em um único dia livre.
A trabalhadora explica que, ao precisar realizar acompanhamentos médicos para as crianças durante a semana, acaba perdendo o dia de serviço e sofrendo descontos no salário. Essa realidade reflete o sentimento de grande parte da população: pesquisa realizada pela Nexus mostra que 73% dos brasileiros apoiam o fim desse modelo de jornada.
Exaustão e busca por qualidade de vida
Relatos de trabalhadores de diferentes setores reforçam o impacto do desgaste rotineiro. A auxiliar administrativa Yasmin Nascimento comemorou a decisão dos parlamentares, destacando que a folga adicional permitirá que as pessoas invistam em estudos, trabalho extra ou no convívio familiar.
Do mesmo modo, a ajudante de cozinha Cristiane Wandermuren, de 56 anos, lamenta a falta de tempo para cuidar da própria saúde e acompanhar o crescimento dos netos. Segundo ela, marcar consultas médicas se torna um empecilho quando a escala limita o descanso ao domingo.
Quem já conseguiu migrar para o modelo 5x2 confirma os benefícios. Simone Cunha de Oliveira, que atuou 15 anos no regime de seis dias por um, ressalta que a mudança melhorou significativamente sua qualidade de vida e expressa o desejo de que sua irmã, vendedora, também tenha o mesmo direito.
Aposentadas relembram rotina intensa
Para as aposentadas Maria Antônia de Carvalho, de 63 anos, e Luciana Machado, de 65, o descanso só chegou ao fim da carreira. Luciana demonstrava receio de que a mudança pudesse acarretar aumento na carga diária ou redução salarial, dúvidas esclarecidas pelo texto do projeto.
Entenda o cronograma de transição
De acordo com o texto aprovado no Senado, a implementação ocorrerá de forma gradual. A exigência da escala 5x2 e a primeira redução de jornada, de 44 para 42 horas semanais, entram em vigor 60 dias após a promulgação da emenda constitucional.
A segunda etapa do cronograma prevê a redução final para 40 horas semanais, mantendo a escala 5x2, no prazo de 14 meses. Durante a transição, a redistribuição das horas garantirá que o limite seja respeitado sem prejuízos aos trabalhadores.
Confira os principais pontos da transição:
- Adoção da escala 5x2 e redução para 42 horas semanais após 60 dias da promulgação;
- Redução definitiva para 40 horas semanais em até 14 meses;
- Regras específicas para trabalhadores terceirizados da administração pública e medidas de mitigação para MEIs e pequenas empresas.